Autódromo de Jacarepaguá: Patrimônio do Esporte Brasileiro

Memória viva do Autódromo de Jacarepaguá

Capítulo I

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Revendo a História: A importância do Rio de Janeiro no Automobilismo Brasileiro
A era Pré- Autódromo

Histórico sobre os primeiros circuitos do Rio

No dia 19 de setembro de 1909 o Automóvel Clube do Brasil promove sua primeira corrida no Circuito de São Gonçalo. A idéia original era realizar a prova no Alto da Boavista, mas o prefeito do Rio de Janeiro à época era Souza Aguiar e com apoio da Câmara Legislativa, proíbe a realização na cidade, levando à transferência para a vizinha Niterói. O percurso de 72 quilômetros, sagrou vencedor o já renomado Gastão de Almeida, pilotando um Berliet, seguido de João Borges Júnior, que conduzia um Fiat. Foi possível ainda identificar que tomaram parte da prova carros das marcas Isotta-Frascchini, Panhard e Itala.

A partir de 1920 surgem em São Paulo e no Rio de Janeiro as primeiras exposições internacionais de automóveis, mais uma tentativa de inserir nosso país no cenário mundial. A I Exposição de Automobilismo do Rio de Janeiro, organizada pelo Automóvel Clube do Brasil, de 1 a 15 de agosto de 1925. Nesse evento foi organizada uma corrida. Tornava-se mais articulada a participação de órgãos governamentais nos eventos automobilísticos.

Esses fatos possibilitaram a realização de eventos automobilísticos no Rio e em São Paulo, destacando-se a Quinzena Automobilística, realizada na Estrada da Gávea, Rio de Janeiro, em 1926. Tomaram parte nessa prova personagens do automobilismo nacional, entre os quais Irineu Correa e Primo Fioresi. Nesse mesmo ano o Automóvel Clube do Brasil filia-se à Federação Internacional de Automobilismo.

A crise mundial de 1929, que teve impacto significativamente maior em São Paulo. Assim, na década de 1930 o eixo de desenvolvimento do esporte passou para o Rio de Janeiro.

Em 1932, a prova de automobilismo “Subida da Montanha” foi disputada na recém-inaugurada Rio-Petrópolis e teve como vencedor um dos maiores pilotos dessa modalidade no mundo: o alemão Hans Von Stuck. Stuck veio a convite de Manuel de Teffé, um dos pilotos brasileiros que pioneiramente competiu em pistas européias, inclusive em provas dessa natureza.

Em 1934 houve a segunda edição do Circuito da Gávea. A vitória foi do brasileiro Irineu Correa, pilotando um Ford por ele mesmo adaptado. A década de 1930 fica marcada pelo definitivo ingresso do automobilismo brasileiro no cenário internacional, notadamente pela realização do Grande Prêmio do Rio de Janeiro, também conhecido como Circuito da Gávea: o sonho tornou-se realidade em 1933, contando com apoio direto do presidente Getúlio Vargas, bem como reconhecimento da Federação Internacional de Automobilismo. A prova foi realizada até 1954, com um intervalo entre os anos de 1942 e 1946.

O Circuito da Gávea, com trajeto de pouco menos de 12 quilômetros, foi preparado por Manoel de Tefé e por Primo Fioresi, tendo à frente o Automóvel Clube do Brasil, na época presidido por Carlos Guinle. O traçado era perfeito para forjar heróis: impressionava pela beleza e pela dificuldade. Eram muitas curvas, subidas, descidas, pisos de asfalto, cimento, areia e paralelepípedo, visões estonteantes: reconhecidamente exigia-se perícia dos pilotos. Havia poucos pontos de ultrapassagem e qualquer descuidado poderia significar um acidente grave, em uma época em que as condições de segurança ainda eram precárias.

Nos três primeiros anos o Circuito foi disputado somente por sul-americanos, a maioria de brasileiros. A partir da edição de 1936, o Circuito definitivamente se internacionaliza e começam a chegar escuderias e pilotos de maior renome. Nesse ano, por exemplo, a Ferrari traz dois pilotos, entre os quais o futuramente ídolo no Brasil Carlo Pintacuda. O destaque dessa edição foi mesmo a presença da francesa Mariette Hélène Delangle, mais conhecida como Hellé-Nice, uma das primeiras do mundo a se envolverem com o automobilismo.

Os acidentes eram comuns no circuito do Rio de Janeiro. Em 1935, o brasileiro Irineu Correa perdeu o controle do carro e morreu ao cair em um canal. Em outras edições, morreram ainda dois italianos, Nino Crespi e Dante de Palombo, e o francês Jean Acchar. Alimentando o mito, Palombo morreu conduzindo o mesmo automóvel de Correa, em 1938; Jose Bernardo, no ano seguinte, teve um grave acidente com o mesmo veículo, que por isso foi apelidado de O Assassino. Devido o grau de dificuldade, o Circuito da Gávea ficou internacionalmente conhecido como Trampolim do Diabo.

Em 1940 foi inaugurado na capital paulistana o primeiro autódromo brasileiro: Interlagos.

Porém, no início este autódromo não conseguia fazer frente ao prestígio do Circuito da Gávea. Somente quando essa prova se encerrou, Interlagos passou a ser o novo celeiro e centro do automobilismo nacional, pelo menos até o fim da década de 1960, quando fechou para reformas.

No decorrer dos anos 1930 e até meados dos anos 1950 foi, portanto, a prova do Rio de Janeiro a central do país.  Como campeões, gravaram na história seus nomes: Manuel de Teffé (1933 e 1939); Irineu Correa (1934); Nascimento Junior (1938); Rubem Abrunhosa (1940), Henrique Casini (1952) e Chico Landi, um capítulo a parte no automobilismo nacional.

Landi foi o grande nome do Circuito da Gávea e certamente o primeiro ídolo brasileiro do automobilismo. Participou de 15 das 16 edições, vencendo em 1941, 1947 e 1948. Carlos Pintacuda, que tendo vencido também em 1938 passou a ser chamado de “O Herói da Gávea”.

Vargas é deposto em 1945. O Circuito volta a ser realizado em 1947, já com Eurico Gaspar Dutra como presidente. Vargas volta à presidência, agora de forma democrática e por eleição direta, em 1951. Em 1952 é realizada uma das edições mais importantes da prova, a que contou com a presença de Fangio. Em 1954, último ano do circuito o vencedor foi o suíço Emmanuel de Granfferid.

A perda de sua prova “oficial” e o deslocamento do eixo e prestígio do automobilismo sul-americano para a Argentina teve grande impacto no Brasil, mas não significou o fim das corridas de automóvel.

Na metade final da década de 1950 e nos anos 1960 continuaram a existir as provas de rua, mas paulatinamente os autódromos, notadamente Interlagos, passaram a centralizar a realização das corridas mais importantes. Alguns poucos brasileiros correram no exterior (Landi e Hernando da Silva Ramos, por exemplo), majoritariamente na Argentina, sem grandes resultados.

Fonte: Melo, Victor Andrade. Antes de Fittipaldi, Piquet e Senna:o automobilismo no Brasil (1908-1954). Disponível em:

http://www.autoclassic.com.br/colunas/2009/rodrigo/Artigo%20Victor%20Automobilismo%201908_1954.pdf

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Written by Pescador de informação

18 de Outubro de 2009 às 16:55

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