Autódromo de Jacarepaguá: Patrimônio do Esporte Brasileiro

Memória viva do Autódromo de Jacarepaguá

Archive for Março 2012

DEU NO NEW YORK TIMES

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A preparação do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos foi manchete deste prestigiado jornal nesta semana com a matéria entitulada: Moradores de favela desafiam preparação do Rio para se tornar Cidade Olímpica. Clique aqui para ver. Bem grande e divulgada na primeira página, a reportagem é preconceituosa, pois demoniza estes moradores e os apresenta como um obstáculo a esta preparação. Apesar disso, tem o mérito de divulgar que este não é o único problema das Olimíadas cariocas e que a política faz a sua parte em contribuir para os atrasos, com escândalos de corrupção envolvendo funcionários do alto escalão dos esportes.

Especificamente em relação ao Parque Olímpico o jornal destaca a resistência dos moradores de Vila Autódromo como o principal obstáculo à construção do mesmo, passando ao largo do problema do Autódromo e imputando exclusivamente a esta comunidade a culpa pelas coisas não estarem correndo como o planejado.

Em compensação, diz que o governo municipal do Rio de Janeiro pagou a duas empresas imobiliárias mais de US$ 11 milhões para reassentar os moradores da Vila Autódromo e que as duas empresas doaram fundos para a campanha de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Por outro lado, o site Uol que apresentou uma versão integral da mesma matéria do NYTimes, apresenta a CBA como vilã e como uma segunda ameaça à Prefeitura, numa notícia entitulada “Consórcio e prefeitura ignoram ameaças e preveem obras no Parque Olímpico em 2 meses “.

Gente, que tipo de jornalismo é este que vem sendo praticado no Brasil? Será que existe algum rodízio nas redações que impedem os jornalistas que cobrem determinados assuntos de se aprofundarem sobre os mesmos? Ou, simplesmente, eles copiam os releases que a Prefeitura manda sem questionar e sem acrescentar nada?

Em nenhum momento se disse que tantos os moradores da Vila como o Autódromo já estavam ali há anos quando o COB e a Prefeitura do Rio se candidataram à sede dos Jogos de 2016. Não relembraram sequer 2007 e o maldito PAN. Além disto, não questionam nada os números desta licitação.

Pois desafiamos nossos leitores a fazerem de cabeça a seguinte conta: peguem a soma de quanto valeria hoje o terreno do Autódromo e adicionem R$ 525 milhões (quantia que a Prefeitura vai pagar ao consórcio). A seguir diminua desta soma o valor do que for construído no terreno (as chamadas benfeitorias).

Difícil? É só dar uma olhada ano Projeto do Parque Olímpico e verão que há pouquíssima coisa a ser construída para os Jogos Olímpicos de 2016 e a construção é de responsabilidade da União. A maioria das obras é de preparação do terreno, ou seja, não haveria necessidade de demolir o Autódromo, nem remover a Vila Autódromo para que essas instalações fossem feitas.

Mas, voltemos a nossa conta lembrando que após 2016 todas instalações, inclusive o Velódromo, a Arena e o Maria Lenk poderão ser removidas dando lugar a condomínios de casas e apartamentos para serem comercializados por estas construtoras. Agora conseguiram vislumbrar o quanto elas irão lucrar? A Prefeitura vai lhes pagar para receberem como doação um terreno que é do Estado e construírem com o dinheiro da União. Assim, além de embolsarem R$525 milhões, após 2016 serão legalmente donas do imenso terreno onde está o Autódromo de Jacarepaguá.

Talvez este seja o legado que Nuzman, Eduardo Paes e Cabral tanto mencionam. Pois, passando no nariz de todo mundo uma imensidão de terras públicas para as mãos de particulares, é óbvio que terão também o seu quinhão…

Este sim, será um legado para as gerações futuras (deles) não botarem defeito!

Written by Pescador de informação

7 de Março de 2012 at 16:33