Autódromo de Jacarepaguá: Patrimônio do Esporte Brasileiro

Memória viva do Autódromo de Jacarepaguá

Archive for Junho 2012

A Rio + 20, o Autódromo de Jacarepaguá, sua importância estratégica e seu futuro

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A conferência da Nações Unidas para de Meio Ambiente de 2012 vai marcar para sempre a história do Autódromo de Jacarepaguá como um ponto chave para a realização de grandes eventos na cidade do Rio de Janeiro. Especificamente neste evento, coube ao Exército do Brasil, país sede da conferência, fazer a segurança, pois toda a área do Riocentro se tornou território da ONU. Não fosse este espaço estratégico, talvez a Rio + 20 não pudesse ter sido acontecido,

Durante cerca de 20 dias as instalações do Autódromo foram ocupadas por tropas que  fizeram dali o seu ponto de apoio. Além de um contingente ficar acampado, foi colocado um radar gigantesco de frente para a Lagoa de Jacarepaguá, mais precisamente na pista do clube CEU (ultraleve) para monitorar o espaço aéreo. Mesmo em péssimo estado de conservação, a área dos boxes e principalmente a sala de imprensa, serviram de base para estas operações.

Em termos de segurança, a última quarta-feira, data da abertura da conferência, foi o dia de maior tensão, pois estava programada a realização de um ato pela Cúpula dos Povos (evento paralelo à conferência) em apoio aos moradores da Vila Autódromo. Como todos já devem saber, esta comunidade está ameaçada de remoção, assim como o Autódromo, para a construção do chamado Parque Olímpico.

Apesar de ser um evento que constava do calendário oficial da Cúpula, portanto  totalmente pacífico  e autorizado, foi montado um verdadeiro aparato de guerra contra esta manifestação onde eram esperadas cerca de 5.000 pesssoas. O exército fez o seu papel e desde 5h da manhã, os helicópteros começaram a  sobrevoar a área. Durante todos os dias da conferência existiu um bloqueio na Avenida Salvador Allende para impedir as pessoas não credenciadas de ultapassar a ponte do Arroio Pavuna. O batalhão ali localizado tinha a presença diária de tanques, esquadrão anti-bomba e máscaras de gás.

A nota distoante foi dada pela Prefeitura do Rio que querendo esvaziar o ato e parecendo não confiar no exército, montou bloqueios na Av. Abelardo Bueno para impedir os manifetantes de chegar ao local. Dos cerca de 1800 representates dos povos indígenas, apenas uns 100 conseguiram chegar. Os bloqueios montados pela CET Rio a mando do Secretário da Prefeitura Carlos Osório causaram um engarrafamento gigantesco e atrapalharam, inclusive, várias comitivas  que participavam da Rio +20 de chegar ao Riocentro.

Apesar disto, o ato foi realizado de maneira pacífica com a presença de mais de 2.000 pessoas pertencentes a diversos movimentos sociais do mundo, não houve confronto com a tropa do exército que montava barreira e em nenhum momento os índios tentaram ultrapassá-la, como alguns jornais, como o Estadão e a Rede Globo noticiaram. Apenas quando o ato já havia terminado o Sr. Osório chegou ao local todo esbaforido. Tirou algumas fotos da barreira formada pelo exército com o celular e se retirou, sem se identificar e falar com os organizadores do movimento.

Durante o evento toda área em frente às arquibancadas serviu de apoio para os deslocamentos de pessoas que deixavam seus carros estacionados e seguiam em ônibus exclusivos do evento, pois carros particulares não podiam chegar ao Riocentro. A Arena HSBC voltou a se chamar apenas Arena e sediou eventos paralelos à conferência. O jantar que a Presidenta Dilma ofereceu aos chefes de estado foi lá.

Se a Rio +20 não foi aquilo que se esperava em relação ao Meio Ambiente, nem global, nem localmente, pois o futuro que o Prefeito Eudardo Paes planeja, é lotear um dos últimos espaços verdes para a construção de prédios e expulsar as pessoas para bem longe. Espera-se que esta conferência tenha trazido, pelo menos, uma lição para os governos federal, estadual e municipal que querem transformar o Rio em vitrine para o mundo, sediando de diversos eventos internacionais. E a lição é: o complexo do Autódromo de Jacarepaguá é um local estratégico para a segurança, do Riocentro e da Barra da Tijuca. Quando se fala em segurança a coisa muda de figura, pois futuro o futuro de uma cidade onde a tônica é a falta de preocupação social, é sombrio e obscuro. Então, mantenham os locais estratégicos e preparem suas tropas de choque… Ah! Deixem os secretários atrapalhados de fora!

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Written by Pescador de informação

22 de Junho de 2012 at 8:27