Autódromo de Jacarepaguá: Patrimônio do Esporte Brasileiro

Memória viva do Autódromo de Jacarepaguá

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Absurdo! Apenas duas instalações do Parque Olímpico serão permanentes

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O Prefeito Eduardo Paes dando prosseguimento a sua missão de destruir o Autódromo de Jacarepaguá assinou um decreto desafetando o uso daquela área. Não se sabe se foi apenas um factóide, já que o terreno está registrado em nome da Caixa de Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Fizemos abaixo uma análise detalhada do projeto do Parque Olímpico a fim de expor os principais motivos pelos quais o governo Federal não deve ceder às pressões do senhor Prefeito e das empreiteiras deste consórcio, pois o que se pretende fazer com a área é algo totalmente ilegal e descabido. Trata-se da destruição de um circuito histórico e de um Velódromo recém construído para dar lugar a apenas duas instalações permanentes: um outro velódromo e a uma pista de atletismo descoberta.

Segundo o pré-projeto da candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016, as instalações que seriam construídas no Parque Olímpico eram a princípio, um Centro Olimpico de Treinamento  e  um Centro de Mída. Isto foi modificado após alguns meses, depois da campanha pró Porto Maravilha e de algumas visitas do COI, a Prefeitura do Rio resolveu que  o Centro de Mída  iria para a região do porto.

No edital do concurso do Parque Olímpico estavam previstos a construção de um Centro Olimpico de Tênis, um Centro Aquático Olimpico, uma área de recreação, uma praça para patrocinadores, um estacionamento para 3500 automóveis, além da remodelação da Arena Multiuso[1] e do Maria Lenk.

O projeto vencedor do concurso feito pela AECOM, seguindo o edital, apresentou 3 versões para instalações na área do Autódromo: a primeira  chamada de modo jogos, uma segunda versão que podemos chamar de intermediária e ainda uma terceira versão: modo legado. No modo intemediário algumas instalações sairiam para dar lugar a prédios residenciais da versão final do Parque: o chamado “legado”.

Assim, além das instalações existentes, o Maria Lenk e a Arena Multiuso,  na versão legado permaneceriam apenas um novo Velódromo e uma pista de atletismo descoberta. O Centro Olimpico de Treinamento, teria uma grande parte removida na versão legado.

Pelo projeto no lugar do Velódromo ficará o Centro Olimpico de Tênis. Nele estão previstos uma quadra maior para 10.000 espectadores e  6 quadras de treinamento menores. Vejam quanto desperdício:  esta quadra maior foi projetada exatamente no local do atual Velódromo, construído para o PAN 2007 e de acordo com o edital será demolido em 2013. Esta farra do se constrói hoje para demolir amanhã está prevista em edital homologado pelo IAB e pela Prefeitura do Rio.

O verdadeiro motivo deste Parque Olímpico é doar estas cobiçadas terras públicas ao consórcio de empreiteiras.  O fato do atual Velódromo dar lugar a uma  quadra de Tênis é apenas um pretexto planejado em Edital público. No modo pós-jogos,haverá uma marina e uma ponte ligando este lado ao outro da lagoa e o atual  Velódromo fica exatamente em frente a este local estratégico. Tanto assim que o edital prevê que após 2016 a quadra de tênis também será destruída, provavelmente para dar acesso à marina que ligará o “futuro condomínio” construído no terreno do autódromo aos condomínios do outra margem.

As imagens  abaixam mostram claramente como a quadra de Tênis que aparece no modo jogos será eliminada no modo legado.

A quadra de tênis para 10.000 espectadores

Prédios no lugar da quadra de tênis para 10.000 espectadores.

Todas as outra instalações serão provisórias:

– 2 quadras de hóquei;

– Um centro aquático com piscina de padrão Olímpico usando tecnologia de última geração;

– Uma área de lazer;

Aqui está o link para o Masterplan completo.

Vejam a imagem abaixo e imaginem o custo destas instalações provisórias que se utilizam de estruturas metálicas com paredes infláveis. Não esqueçam que o custo de todas elas ficará a cargo do Governo Federal. Aos empreiteiros do consórcio vencedor cabem apenas as obras de infra-estrutura.

Esta é uma verdadeira farra com o dinheiro público: encomendaram um projeto a um escritório de arquitetura estrangeiro, mascararam este fato com um concurso e ainda premiaram este projeto com 150 mil reais. Tratam com total escárnio a coisa pública e fica fácil entender como os Megaeventos se transformaram na maior oportunidade de premiar seus amigos empreiteiros doadores de campanha com o que não lhes pertence.

Como planejaram com alguns anos de antecedência, acharam que  o concurso  ganho por um dos mais renomados escritórios estrangeiros seria perfeito para enganar a todos.  Com o aval do IAB engendraram um plano para destruir o autódromo dando lugar a coisa nenhuma. Na verdade, estariam apenas liberando uma área pública, cobiçada há anos pela Carvalho Hosken, para construção de blocos residenciais no futuro. Mas, o Ministério Público já declarou que o IAB é suspeito no concurso do Porto e já anulou o mesmo. Poderia anular também o concurso do Parque Olímpico com o mesmo argumento.

Este projeto de “sustentável”não tem nada! Este termo só cabe nesta situação tendo em vista que aqueles que engedraram este plano pretendem se sustentar  por mais 4 anos no poder.


[1] – Esta remodelação previa a continuidade dos shows para 1500 pessoas, já que a Arena está arrendada ao HSBC por 30 anos.

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Written by Pescador de informação

7 de Julho de 2012 at 17:46

Concurso tenta legitimar o ilícito e o ilegal

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A Prefeitura do Rio lança hoje mais um capítulo da farsa para a construção do Parque Olímpico. Este concurso foi feito a pedido do IAB ( Instituto de Arquitetos do Brasil), pois em 2010 havia sido feito um processo de licitação para a escolha de um escritório de arquitetura que faria estudos complementares para as instalações esportivas do Parque Olímpico do Rio no Autódromo. Depois da chiadeira do IAB, o Comitê Rio 2016 decidiu cancelar em setembro o referido edital.
Embora tenha sido divulgado no jornal O Globo de hoje a existência de um novo edital, o mesmo não foi encontrado nem no site da prefeitura do Rio, nem no site do COB.
Na verdade esta farsa está sendo montada com a chancela do IAB para esconder erros gravíssimos de concepção. O primeiro deles é que a construção deste parque está prevista para 2013, mas não é mencionado o acordo judicial firmado entre o COB, a Prefeitura e a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) que garante a esta última entidade que o Autódromo de Jacarepaguá só pode ser destruído após a construção de um novo. Neste caso, o edital para a construção do Autódromo deveria preceder ao deste parque.
O segundo ponto é que a área, pelo menos, a da foto do cartaz do concurso, além do Autódromo, mostra o clube de Ultraleve e a Vila Autódromo. O clube está localizada em terreno da União e a Vila provavelmente também. Além disto, existe um processo judicial contra os moradores que se arrasta há mais de 18 anos na justiça. É óvio que nem o pessoal clube, nem os moradores querem sair dali.
O terceiro ponto são as mencionadas PPPs (parceria público privadas). A prefeitura quer se apropriar de áreas públicas e depois das Olimpíadas destiná-las a construtoras? Mas, como? Sem regulamentar isto previamente? Assim, na maior cara dura? Quem eles pensam que somos ? Todos idiotas. Claro que terão aqueles sonhadores que se debruçarão sobre o projeto na tentativa de conseguir alguma notoriedade e fama.
Finalmente, esqueceram de avisar aos incautos, que uma parte do projeto deste Parque Olímpico já está quase pronta. Fica bem do outro lado da Lagoa e sediará o evento Rock in Rio. Ali foram usados milhares de metros cúbicos de aterro em plena Área de Preservação Permanente. Ou seja, os arqutitetos que se habilitarem terão que queimar a mufa para legitimar uma série completa de ilegalidades cometidas contra o Meio Ambiente.
Claro que para a Prefeitura é uma jogada de mestre, pois vai matar vários coelhos de uma só tacada. Resta apenas saber quem se habilita a concorrer num concurso que pode até não ser de cartas marcadas. Mas, que o vencedor não verá o seu projeto ser realizado. Não precisa nem ser muito criativo, mas tem que ter estômago, para seguir exatamente o que estava previsto no pré-projeto da candidatura. Pois, as construtoras que ficarão com o terreno, já delimitaram o que pode e o que não pode ser feito.

Written by Pescador de informação

25 de Abril de 2011 at 20:09