Autódromo de Jacarepaguá: Patrimônio do Esporte Brasileiro

Memória viva do Autódromo de Jacarepaguá

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O que é o Consórcio Rio Mais

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Há cerca de 8 meses o Autódromo de Jacarepaguá foi destruído para dar lugar ao Parque Olímpico. Durante este tempo as páginas deste blog não foram atualizadas. Este silêncio foi carregado de revolta  e expectativas em torno do que iria acontecer com  área que já foi palco de corridas inesquecíveis em diversas categorias do automobilismo nacional e internacional.
Hoje o espaço pertence ao Consórcio Rio Mais. Isto aconteceu num passe de mágica, através de uma PPP (Parceria Público Privada) espúria onde a Prefeitura do Rio concedeu o uso do que não era dela, mas sim do Estado do Rio de Janeiro, ao tal Consórcio. Tudo isto em troca apenas das obras de infra-estrutura do mencionado Parque.
Porém, constata-se a existência de um aspecto em relação ao Parque que a população da cidade não questionou até agora:  a Prefeitura do Rio já apresentou sucessivamente pelo menos quatro versões diferentes do que virá a ser o mesmo. Como o projeto da AECOM que ganhou o concurso não está sendo respeitado, aquela área pode ser tomada em breve por edifícios que nada terão a ver com o espírito Olímpico. Em nome destas diversas versões  já foram destruídos não somente o Autódromo, mas também: o Velódromo, a única via asfaltada que contornava o Autódromo dando acesso ao antigo portão 7 e uma das pistas do Clube CEU. Estão programados para serem totalmente removidos: o Clube CEU e cerca de 3000 pessoas que moram na comunidade de Vila Autódromo.
O VERDADEIRO OBJETIVO  destas remoções não é a construção de equipamentos Olímpicos, mas sim de uma Marina. Explicação: do outro lado da Lagoa de Jacarepaguá se tem acessso direto à Av. das Américas e a alguns  condomínios de luxo como Quintas da Lagoa, Laguna, Alphaville e outros. Já pensaram em como estas terras seriam valorizadas?
Formado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Odebrecht e Carvalho Hosken, este consórcio, no fundo, pretende fazer do local uma cidade para poucos.
Na verdade, o que é o Consórcio Rio Mais?

RIO + DESTRUIÇÃO!
RIO + PRECONCEITO!
RIO + DESRESPEITO AO MEIO AMBIENTE!
RIO + ROUBO DE TERRAS PÚBLICAS!
RIO + REMOÇÕES E SACANAGEM COM OS POBRES!
RIO + FARRA COM O DINHEIRO DO POVO!
SE VOCÊ NÃO QUER ISTO PARA SUA CIDADE, AJUDE E DIVULGUE, PARA QUE TENHAMOS UM:
RIO SEM preconceito!
RIO SEM destruição de equipamentos esportivos!
RIO SEM PPPs suspeitas!
RIO SEM remoções e sacanagem com os pobres!
RIO SEM corrupção com o dinheiro público!

Afinal, se o mote fosse mesmo SOMOS UM RIO, seríamos um Rio para todos e não somente para os empreiteiros!

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Written by Pescador de informação

15 de Julho de 2013 at 10:40

DEU NO NEW YORK TIMES

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A preparação do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos foi manchete deste prestigiado jornal nesta semana com a matéria entitulada: Moradores de favela desafiam preparação do Rio para se tornar Cidade Olímpica. Clique aqui para ver. Bem grande e divulgada na primeira página, a reportagem é preconceituosa, pois demoniza estes moradores e os apresenta como um obstáculo a esta preparação. Apesar disso, tem o mérito de divulgar que este não é o único problema das Olimíadas cariocas e que a política faz a sua parte em contribuir para os atrasos, com escândalos de corrupção envolvendo funcionários do alto escalão dos esportes.

Especificamente em relação ao Parque Olímpico o jornal destaca a resistência dos moradores de Vila Autódromo como o principal obstáculo à construção do mesmo, passando ao largo do problema do Autódromo e imputando exclusivamente a esta comunidade a culpa pelas coisas não estarem correndo como o planejado.

Em compensação, diz que o governo municipal do Rio de Janeiro pagou a duas empresas imobiliárias mais de US$ 11 milhões para reassentar os moradores da Vila Autódromo e que as duas empresas doaram fundos para a campanha de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Por outro lado, o site Uol que apresentou uma versão integral da mesma matéria do NYTimes, apresenta a CBA como vilã e como uma segunda ameaça à Prefeitura, numa notícia entitulada “Consórcio e prefeitura ignoram ameaças e preveem obras no Parque Olímpico em 2 meses “.

Gente, que tipo de jornalismo é este que vem sendo praticado no Brasil? Será que existe algum rodízio nas redações que impedem os jornalistas que cobrem determinados assuntos de se aprofundarem sobre os mesmos? Ou, simplesmente, eles copiam os releases que a Prefeitura manda sem questionar e sem acrescentar nada?

Em nenhum momento se disse que tantos os moradores da Vila como o Autódromo já estavam ali há anos quando o COB e a Prefeitura do Rio se candidataram à sede dos Jogos de 2016. Não relembraram sequer 2007 e o maldito PAN. Além disto, não questionam nada os números desta licitação.

Pois desafiamos nossos leitores a fazerem de cabeça a seguinte conta: peguem a soma de quanto valeria hoje o terreno do Autódromo e adicionem R$ 525 milhões (quantia que a Prefeitura vai pagar ao consórcio). A seguir diminua desta soma o valor do que for construído no terreno (as chamadas benfeitorias).

Difícil? É só dar uma olhada ano Projeto do Parque Olímpico e verão que há pouquíssima coisa a ser construída para os Jogos Olímpicos de 2016 e a construção é de responsabilidade da União. A maioria das obras é de preparação do terreno, ou seja, não haveria necessidade de demolir o Autódromo, nem remover a Vila Autódromo para que essas instalações fossem feitas.

Mas, voltemos a nossa conta lembrando que após 2016 todas instalações, inclusive o Velódromo, a Arena e o Maria Lenk poderão ser removidas dando lugar a condomínios de casas e apartamentos para serem comercializados por estas construtoras. Agora conseguiram vislumbrar o quanto elas irão lucrar? A Prefeitura vai lhes pagar para receberem como doação um terreno que é do Estado e construírem com o dinheiro da União. Assim, além de embolsarem R$525 milhões, após 2016 serão legalmente donas do imenso terreno onde está o Autódromo de Jacarepaguá.

Talvez este seja o legado que Nuzman, Eduardo Paes e Cabral tanto mencionam. Pois, passando no nariz de todo mundo uma imensidão de terras públicas para as mãos de particulares, é óbvio que terão também o seu quinhão…

Este sim, será um legado para as gerações futuras (deles) não botarem defeito!

Written by Pescador de informação

7 de Março de 2012 at 16:33

Novos escândalos envolvendo o cobiçado terreno do Autódromo

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Esta semana surgiu um novo desdobramento da questão que envolve a destruição do Autódromo de Jacarepaguá. Embora a empresa AECOM vencedora do concurso do projeto para o Parque Olímpico tenha previsto a permanência da comunidade da Vila Autódromo, o prefeito Eduardo Paes declarou desde o primeiro instante que a comunidade seria removida.
Assim, a Prefeitura dispensando o processo de licitação se utilizou de 3 empenhos diferentes para aquisição de um terreno na Estrada dos Bandeirantes tendo em vista o processo de remoção. O primeiro empenho foi no valor de 1 milhão e novecentos mil reais, o segundo no valor de 19 milhões e o último no valor de 19 milhões e novecentos mil reais.
Esta mudança de vírgula ou de um algarismo já estava difícil de ser explicada, mas, agora está complicado desfazer os rumores de que a empresa dona do terreno fez doações de campanha para Paes, e seus secretários Jorge Bittar, Carlos Minc, Pedro Paulo e Guaraná.
Enquanto isto, alguns vereadores tentam questionar juridicamente esta compra. O terreno de 85.000 m2 pertencia a Tibouchina Empreendimentos S.A. Esta empresa faz parte de uma companhia aberta de capital autorizado: a PDG Realty S.A. Empreendimentos e Participações . Estão no rol das controladas desta empresa, entre outras, as empresas Cyrela, CHL, Goldfarb, Klabin e o Grupo Rossi.
Investigar os doadores de campanha das últimas eleições e os negócios públicos realizados em nome de interesses privados pode ajudar a desatar alguns nós que envolvem a atual administração pública municipal. Sabemos que o interesse na destruição do Autódromo de Jacarepaguá está diretamente relacionado aos interesses destas empresas doadoras.
Ao apresentar o plano de negócios para a Olimpíada de 2016, Joaquim Levy*, secretário da Fazenda do Rio de Janeiro destacou que toda a cadeia produtiva da economia brasileira terá oportunidades de negócios decorrentes do evento. Segundo Levy, “O maior investimento é na construção do Centro Olímpico de Treinamento. Ele está sendo feito em cima do autódromo, ou seja, não foi preciso comprar o terreno”. Apesar da declaração, o terreno foi comprado e superfaturado.
Se não colocarem um freio já, os gastos para a viabilização deste parque ultrapassarão em muito às previsões mais pessimistas. E o pior, apesar disto, a cidade do Rio de Janeiro pode ficar sem nenhum autódromo.

  • * Citamos Joaquim Levy, pois o Prefeito Eduardo Paes ao destacar sua presença como representante do Governo do Estado no dia do do resultado do concurso do Parque Olímpico, o apresentou como quem de fato governa o Estado do Rio de Janeiro.
  • Written by Pescador de informação

    16 de Outubro de 2011 at 20:25